Confuso e em conflito….

Confuso e em conflito….               Desculpem pelo tempo do ultimo artigo publicado anteriormente, porem muitas coisas saíram na mídia e tão intensas que fiquei em estado de choque.                Sou médico em São Bernardo do Campo ha 25 anos, no mesmo local e com muitas pacientes em meu cadastro, mais de quinze mil mulheres. Neste período ocorreu uma transformação intensa no comportamento e nas relações sociais dos indivíduos.                   Lembro como se fosse hoje o choque que criei em meu pai quando apareci em casa com uma bolsa a tira colo e meu cabelo já tinha passado do ombro, estava no ápice de minha juventude. Muito rock roll, muita camiseta florida, muito bailinho de garagem, porem mesmo no meio deste turbilhão, nunca perdi meu norte. Não estava perdido e sem destino, estava apenas curtindo minha idade e as transformações que o mundo estava vivendo. Nunca deixei de estudar e de acreditar no meu sonho, ser medico. Em momento algum gerei transtornos ou pressão em meus pais por estar sem rumo ou desnorteado e vazio. Nosso país ainda vivia a ditadura militar e seu período de confronto, com militares nas ruas em que eu fazia meu trabalho de ofice boy (nesta época sem conotação pejorativa, apenas um auxiliar de escritório). Tempos difíceis, porém com significado, com caráter e ética. Sabia que sem esforço não chegaria à faculdade.                Junto com tudo isso, explodia no mundo a revolução feminista, o grito se ouviu em todos os cantos da terra e a partir de então a humanidade não era mais a mesma, pois no embalo veio a grande revolução sexual.               Estudo e frequento aulas e câmeras de discussão na area da sexualidade desde 1985, nos congressos de ginecologia, nos livros relatando os estudos de Master e Jonshons, Dr Kinsey, Helen Kaplan e aqui no Brasil o mestre Nelson Vitielo, aprendi a olhar a sexualidade e suas nuances de forma mais ampla e completa.                Passado vinte e cinco anos, me deparo com uma sexualidade em crise a meu ver, uma decadência de sentido e valor do ato sexual propriamente dito. Algo inodoro e insípido, realizado no vácuo dos sentimentos de dois seres quase humanos. O outro, o tu, não precisa mais ter significado, somente estar presente de corpo, pois alma também é exigir demais.                 Os abusos, agressões, pedofilias e tantas outras bestialidades passaram a ser minha manchete matinal, não que antes não tivesse, mas hoje se tornou obrigatório receber o lixo da humanidade na frente da minha porta.                 A globalização nos faz partícipes das misérias humanas das mais distantes tribos ou vilas de nossa cidade. Tornamos-nos consumidores de podres humanos, de regressão humana, como coisa mais normal e comum, pois todas as mídias já validaram de certa forma esta obtusa maneira de viver a sexualidade. Abro mais uma revista cientifica em que nos mostra a velocidade em que o HPV vem dominando o mundo e tudo que nele ha. Vem através desta rasteirizção da pratica sexual ao belo prazer e com que estiver a disposição, multiplicando os locais a serem implantados os vírus dos futuros cânceres. Hoje o local da vez orofaringe e boca. Mas como ver isso e não se importar ou dar de ombros, como atender meninas de treze, quatorze anos, na sua maioria das vezes com seus “namorados” da hora, sem um pai ou mãe que se interessem pelas suas vidas. Ah, desculpa, como exigir isso hoje de homens e mulheres que tão sobrecarregados de objetivos e tarefas tão importantes que não se dão conta que tem filhos. Meninas que em atitudes desafiadoras e afrontadoras às vezes, escarnecessem da  cobrança do uso de preservativo e sexo seguro, tão poderosas quanto os castelos de areia que quando batem a primeira onde desmoronam e sucumbe à força da natureza. Esta mesma natureza que tem mostrado a sua fúria ao disseminar implacavelmente tantos virus e tantas doenças.                   Lembro de grandes mestres que em defesa da liberdade e do prazer criticaram duramente o uso de imagens de DSTs em sala de aula, como forma de constrangimento e inibição da sexualidade, porém o que fazer diante de tão medíocre sexo praticado por nossos jovens como se fosse apenas um ato descartável. O que fazer diante de uma sociedade conivente e de órgãos de saúde cegos e inoperantes na questão de orientar e que nos chamem a atenção para valores básicos da vida. O que fazer se união estável passou a ser peso e ultrapassada, e com a fragilidade dos contratos matrimonias, deparamos com um exército de jovens criados pelos que sobraram para eles.                   Estou em crise, estou em momento de intensa angustia, aperto na alma ao relatar todas estas coisa, e tantas outras que me rodeiam diariamente. Tento ser uma pequena resistência, uma voz no deserto, um trabalhador pela excelência na vida sexual. Não aceito e não concordo com essa pratica discriminada de atos reflexos vaginais e penianos, nesta sexualidade de genitais e não de vida, vou continuar a defender o vinculo, o amor, o respeito, o sacrifício o significado do outro e da alma para podermos sentir orgasmos. Vou continuar gritando que o ser humano perdeu sua rota de origem e esta a deriva, sem sentido. Vou defender que a nossa felicidade só pode ser alcançada e encontrada em quem a criou, palavras ditam por C.S.Lewis ao ser questionado sobre a mesma.O sexo prazeroso, seguro, afetivo só pode ser alcançado com muita maturidade, muito investimento e muita cumplicidade, coisas que infelizmente nossos jovens não conhecem e não foram apresentados.Desculpe o longo desabafo, porem não tinha como ser diferente.Waldir Moreno Arevalo