Sexualidade e internet

Sexualidade e internet

Essa semana saiu na Uol, à impressionante marca do funcionário publico japonês que clicou 20 mil vezes em um mês em sites pornográficos, coisa que ele já vinha fazendo anteriormente porem ninguém da repartição tinha dado conta do fato. Falar, ou melhor, escrever sobre sexo e internet é ainda caminhar no imponderável, pois estamos engatinhando nesta viagem. Sabemos algumas coisas já vista e que estão sendo tratadas por terapeutas, psicólogas e até mesmo por psiquiatras em pessoas compulsivas por computador e dentre estas, usuários obsessivos por pornografia virtual. Outra informação que temos, principalmente vinda da Europa, é o uso freqüente por pedófilos da internet para aliciar suas vitimas, coisa que vem num crescente. Se olharmos somente com os olhos da curiosidade ou mesmo do avanço tecnológico e informativo que o mundo virtual nos trouxe, este fato relatado no Japão passaria de largo e não teria nenhum impacto ou atenção das pessoas que lidam com sexualidade. Porem nos chama a atenção que esta ocorrendo a meu ver, uma continuidade de um processo de desconstrução (a psicanálise usa muito esta palavra para mudança de conceitos e valores) da necessidade, ou melhor, da importância do outro para a pratica da sexualidade saudável. Há dias atrás outra noticia nos dava conta o estado avançado da indústria eletroeletrônica na construção de andróides sexuais, bonecos que terão pele sensível e temperatura corporal como de humanos e expressões faciais de satisfação quando utilizados para o sexo. Se voltarmos la na origem, no Édem, quando o primeiro homem andava contemplando toda a Criação, Deus olha para ele e faz o diagnostico “Não é bom que o homem esteja só, farei lhe um companheira….”. A pratica do sexo virtual ou a busca de prazer sexual pela internet me traz uma preocupação e ao mesmo tempo uma angustia. Se em algo tão gratificante e tão prazeroso feito a dois esta sendo deixado para trás, imaginem as outras coisas como valores e sentimentos humanos pelo o outro. Usar a modernidade e o avanço da tecnologia para facilitar a nossa vida, adquirir mais conhecimento e cultura, realizar mais contatos e diálogos com pessoas distantes e tantas outras coisa boas inclusa neste pacote é o grande valor da internet. Porem nos tornarmos virtuais também é o grande risco. Sermos deletados de nossos sentimentos e necessidades humanas do toque, do carinho do envolvimento e do vinculo é decretar uma cina terrível para humanidade. Homens e mulheres são gerados em atos de amor, são criados a imagem e semelhança de Deus, porem infelizmente cada dia mais o espelho humano tem distorcido esta imagem, tem tornado o ser humano na ilha que imaginávamos que não poderíamos ser. Converse com seu filho ou filha, esteja atento ao mau uso do computador, veja os sites que eles têm entrado e antes da curiosidade deles, antecipe a solução das duvidas sobre sexualidade. No congresso brasileiro de Sexualidade Humana realizado em outubro de 2007 em Recife, recebi a informação em aula sobre o assunto, a impressionante marca de 94% de encontros marcados pela internet são falsos, ou mentirosos. Ver sites pornográficos nos traz na maioria das vezes imagens falsas da sexualidade humana, visões distorcidas e estereotipadas da pratica sexual, que mais causam repulsa do que estimulam a nossa libido. Tudo me é licito, mas nem tudo me convêm, já dizia o Apostolo Paulo. Tenhamos sabedoria e discernimento do que realmente nos convêm e só assim fazermos uso.
Waldir M Arevalo

DE EVA A LADY GAGA, A VIAJEM DA MULHER

DIA INTERNACIONAL DA MULER: DE EVA A LADY GAGA

Sempre entendi que se existe um dia especifico ou especial para algo é porque antes de estabelecer a tal data o valor dado a tal fato era diminuto ou insuficiente. Pois bem, há cento e cinqüenta anos atrás como diz os fatos, mulheres americanas lutam por seu direito de trabalho digno e direito a voto, realizando uma greve no dia 8 de março de 1857. Ocorre concomitantemente em diversos lugares no mundo (Rússia, Alemanha, França, etc.), greves e movimentos por direitos da mulher. Em 1910 acontece o primeiro congresso internacional da mulher em Copenhagen realizada pela Internacional Socialista. O mais gritante foi o incêndio em uma fabrica de tecidos de Nova York em 25 de março de 1911, onde 141 operárias morreram devido às péssimas condições de trabalho. Em 1975 as Nações Unidas adota o dia 8 de março como o dia Internacional da Mulher.
Bem, o que mudou desde o dia que Eva surgiu na terra. Primeiramente ela surgiu como companheira e hoje em dia ela quer ser livre e independente. Através da Eva deu-se o encher a terra, nas ultimas décadas ter filhos passou ser uma experiência e se possível única. O surgimento dos anticoncepcionais orais tenho comigo, foi o motor propulsor para a independência feminina. La no jardim ela tinha como tarefa os afazeres domésticos e maternos, hoje agenda de tarefas, muito trabalho externo, feito com o maior afinco e com determinação de quem esta competindo com alguém ou com algo, levando-a a quase exaustão.
No decorrer destes milhares de anos, tiveram uma infinidade de mulheres marcantes, Ester rainha dos judeus, Nefertite e sua beleza e poder no Egito, Cleópatra e sua sedução, até chegarmos a Maria, mãe de Jesus, dando um reforço enorme na característica mais marcante da mulher, a maternidade.
Passaram alguns séculos ate chegarmos às monarquias européias e a mulher ter seu destaque novamente, principalmente na figura de Vitoria, a rainha inglesa símbolo do moralismo. Chegamos ao século XX, o mundo nunca mais será o mesmo para as mulheres, enfrentam com toda força e determinação possível para conquistar seus direitos e seu lugar ao sol. Primeiro no trabalho, depois no voto, continuou nas conquistas políticas e hoje assume papel de total igualdade em todas as áreas possíveis deste nosso mundo. As universidades outrora território de machos, hoje na sua maioria constituída de mulheres, tínhamos reis nos mais diversos universos e hoje rainhas no futebol, atletismo, musica, Boxe, etc.
Mas não foram somente conquistas, não foram somente glorias e festejos, a mulher tem pago um preço alto por essa ascensão no exercício de cargos de trabalho e comando deste mundo. A mesma continua sofrendo e se culpando por falta de tempo com o/os filhos, com o lar e sofrendo de um cansaço crônico, pois a mesma executa uma jornada tripla de trabalho. Reclama com certa freqüência a falta de desejo sexual e de disposição para o namoro, pois diferentemente do homem, não consegue se permitir erotizar se tem problemas em sua mente.
Se fosse o homem que ditasse as regras do jogo no mundo, não permitira mulher trabalhar mais do que seis horas por dia fora de casa, para poder ter atividades de laser, de cuidado maternal e cuidado de si mesma. Com certeza depois de filhos independentes essa mulher poderia fazer o que quiser, pois não sentiria culpa. Proibiria cigarro e álcool para todas elas, pois a agressão física destes é muito maior no corpo feminino, não porque é frágil, e sim porque é mais sensível. Determinaria um maximo de silicone no corpo e revisão geral dos reais valores que interessam na vida a dois, porque beleza não é eterna e se tornar algo exótico por meio dos bisturis não há torna melhor.
Por ultimo queria parabenizar todas as mulheres do mundo, a começar pela Dona Aurora, minha mãe. Pequena na estatura e tão grande em amor e dignidade. Ensinou-me os verdadeiros valores que tinha que buscar para ter uma vida integra. Deu-se por completo sem nunca reclamar de algo que tinha deixado de fazer para si em troca da satisfação dos filhos. Segundo a mulher que me fez homem, Maureen, um doce quando amante, uma rocha quando mulher na imposição das coordenadas de vida da nossa família. Terceiro minhas graças de filhas, que num DNA já modificado, trilham o caminho das universidades e de suas profissões pensando numa independência financeira, como toda mulher de hoje, para que a sua relação com o homem, nunca seja de dependência monetária, mas que ambos tenham uma dependência de amor e afeto para seguirem juntas as suas jornadas.
Waldir Moreno Arevalo

CAPITAL ERÓTICO, TRADUÇÃO CUIDADOS E INVESTIMENTOS EM SUA IMAGEM

• COMUNICAR ERRO
19/04/2010
Capital erótico: você sabe o que é? Sabe se tem?

Catherine Hakim

As primeiras-damas dos EUA, Michelle Obama (à esq.), e da França, Carla Bruni, durante cerimônia de boas-vindas em Strasbourg (França)
Michelle e Barack Obama têm. Carla Bruni e David Beckham têm. Katie Price, a modelo britânica conhecida como Jordan, fez uma carreira dele. É tão grande a vantagem que o capital erótico pode trazer para o mercado de trabalho –especialmente nos esportes, nas artes, na mídia e na propaganda- que frequentemente supera os títulos e qualificações educacionais.
Capital erótico é uma expressão que eu cunhei para me referir a uma combinação de atração física e social nebulosa, mas crucial. Propriamente compreendido, o capital erótico é o que os economistas chamam de “ativo pessoal”, pronto para assumir seu lugar ao lado do capital humano, econômico, cultural e social. Entre esses fatores, é igualmente (se não mais) importante para a mobilidade social e o sucesso.
O capital erótico vai além da beleza e inclui o “sex appeal”, o charme e as habilidades sexuais, forma física e vitalidade, competência sexual e habilidades de apresentação, tais como asseamento pessoal, escolhas de roupa e outras artes do adornamento pessoal. A maior parte dos estudos capturam apenas uma faceta do capital erótico: fotografias medem beleza ou “sex appeal”, a psicologia mede a auto-confiança e as habilidades sociais e pesquisas sexuais exploram as capacidades de sedução e número de parceiros.
As mulheres há muito se saem bem nessas artes: é por isso que tendem a estar mais bem vestidas que os homens nas festas. Elas fazem mais esforço para desenvolver as habilidades de charme, empatia, persuasão e empregam a inteligência emocional e o trabalho emocional. De fato, o elemento final do capital erótico é único das mulheres: gerar crianças. Em algumas culturas, a fertilidade é um elemento essencial do poder erótico da mulher. Apesar de a fertilidade feminina ser menos importante em regiões como o Norte da Europa (onde as famílias são menores), a posição dominante das mulheres neste mercado foi reforçada em recentes décadas por um fenômeno muito lamentado: a sexualização da cultura.
Desde a revolução da pílula, nos anos 60, as pesquisas mundiais revelam um aumento dramático em atividades sexuais, em números de parceiros e variedades de sexo. Londres hoje abriga uma feira “Erotica” anual, que apresenta a nova diversidade em estilos de vida e gostos sexuais. Pesquisas da Organização Mundial de Saúde mostram que todos os seres humanos veem a atividade sexual como essencial a uma alta qualidade de vida –mas os homens ainda classificam o sexo como mais importante do que as mulheres. De fato, a alta na demanda mundial por atividades sexuais de todos os tipos (inclusive o sexo comercial, o autoerotismo e o entretenimento erótico) tem sido muito mais pronunciada entre homens do que mulheres. O turismo sexual é essencialmente um hobby masculino, enquanto as revistas eróticas para mulheres frequentemente fracassam.
Isso cria um efeito que deve ser familiar a um economista: as leis de oferta e demanda aumentam o valor do capital erótico das mulheres, particularmente sua beleza, “sex appeal” e competência sexual. Está acontecendo tanto na Escandinávia quanto nos países mediterrâneos, na China e nos EUA. O padrão é confirmado até em países “liberados” sexualmente, tais como França e Finlândia. Os homens têm de duas a dez vezes mais chance de ter casos, comprar pornografia, frequentar clubes de dança erótica e outros entretenimentos eróticos. E as garotas de programa podem ganhar mais que quase todas as outras profissões, apesar do fato de trabalharem menos horas.
É verdade que, como argumentam as feministas, alguns desses relacionamentos podem ser de exploração. E, até certo grau, a nova vantagem das mulheres é mascarada pela explosão da atividade sexual entre homens e mulheres com menos de 30 anos, que hoje consideram normal terem casos de apenas uma noite. Nessa faixa etária há uma paridade de libido, mas o desequilíbrio volta entre homens com mais de 30 –as pesquisas em torno do globo revelam que as mulheres com mais de 30 gradualmente perdem o interesse nos jogos eróticos.
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Essa é uma refutação implícita das pensadoras feministas (como Sylvia Walby, Mary Evans, Monique Wittig ou, mais recentemente, Kat Banyard) que argumentam que homens e mulheres são “iguais” em seus interesse sexuais, como em tudo o mais. Isso obviamente é não verdade,e, por isso, não deve nos surpreender que algumas mulheres usem o sexo e seu capital erótico para obter o que querem. Acontece tão frequentemente hoje quanto no passado, como ilustrado pela barganha sexual diária descrita pelo livro da terapeuta sexual australiana Bettnia Arndt de 2009 “The Sex Diaries”.
A sexualização da cultura afeta tanto a vida pública quanto a privada. A beleza, o “sex appeal”, as habilidades sociais e a arte de cuidar da aparência cada vez mais são valorizados em toda parte, ajudando a vender ideias, produtos e políticas. A cultura popular valoriza especialmente o capital erótico feminino: veja simplesmente as bandas de garotos descabelados e de meninas produzidas. Sim, os homens com altos níveis de capital erótico se saem melhor do que os que não têm. Mas são mulheres belas e elegantes que estão nas propagandas para produtos de todos os tipos, desde carros até detergentes –e não homens.
Os benefícios econômicos de ser atraente física e socialmente podem ser substanciais, especialmente em marketing, relações públicas, televisão e tribunais, assim como para atores, cantores e dançarinos. Mas é mais amplo que isso: pessoas que trabalham em setores mais bem pagos da iniciativa privada são mais atraentes do que as nos setores públicos e sem fins lucrativos. Pessoas altas e atraentes têm maior chance de conseguir trabalho em bancos ou em escritórios de advocacia. Para as feias e pequenas, é mais difícil. Pessoas bonitas podem ganhar de 10 a 15% mais do que as medianas, que por sua vez ganham de 10 a 15% mais do que as feias. As altas ganham mais que as baixas; as obesas ganham de 10 a 15% menos que a média. Análises estatísticas mostram que esse prêmio pela beleza não se deve a diferenças disfarçadas de inteligência, classe social e auto-confiança. Estudos entre advogados revelam que sempre há um prêmio para os atraentes. O prêmio varia de tamanho, mas não se deve à discriminação por parte do empregador. Os mais atraentes podem ganhar 12% a mais que os não atraentes e têm 20% mais de chance de alcançar a sociedade na firma, porque são mais eficazes em atrair os clientes.
De fato, há uma diferença de 25 pontos percentuais em ganhos médios entre as minorias de pessoas atraentes e não atraentes. Esse impacto pode ser tão grande quanto o vão entre ter um diploma ou não ter qualquer qualificação –apesar de estar bem abaixo da inteligência como determinadora dos resultados da vida.
O que é intrigante é que isso significa que o capital erótico –se visto como dote econômico- é um ativo especialmente importante para as pessoas com poucas capacidades intelectuais ou qualificações. No Brasil, o investimento em cirurgia cosmética é tido como uma forma inteligente de avançar em uma cultura onde a aparência e a sexualidade contam. No Reino Unido também, uma pesquisa com meninas adolescentes revelou que um quarto delas acham que é mais importante ser bonito do que inteligente.
Gostando ou não, o capital erótico é hoje um capital humano e financeiro valorizado. Como aconselhou o companheiro Mao –ande com duas pernas.
(Catherine Hakim é pesquisadora de sociologia da Escola de economia de Londres).

DISFUNÇOA ERÉTIL CADA VEZ MAIS PRESENTE

São Paulo, sábado, 18 de dezembro de 2010

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice | Comunicar ErrosImpotência é queixa de 44% dos homens

Levantamento é da caravana da Sociedade Brasileira de Urologia, que atendeu 10 mil homens em 22 EstadosDisfunção erétil pode ser consequência de entupimento de vasos, diabetes e hipertensão, segundo especialistas

JULIANA VINES
DE SÃO PAULO

Quase a metade dos homens que procuram atendimento em saúde tem queixas de impotência sexual, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia.
A entidade acaba de divulgar dados de uma caravana que fez por 22 cidades, em 13 Estados. Foram atendidos 9.982 homens, sendo que mais de 80% tinham mais de 46 anos. Do total, 44% disseram já ter tido o problema.
Os atendimentos aconteceram entre março e setembro deste ano. A unidade tinha médicos e psicólogos que faziam uma consulta clínica tradicional e, se necessário, testes urológicos.
De acordo com Modesto Jacobino, presidente da sociedade, a incidência de impotência surpreendeu.
“É um dado preocupante. O problema ainda é visto como algo secundário, de origem psicológica. Mas há outras doenças relacionadas.”
Para acontecer a ereção, além do fator psicológico, são necessárias atividades neurológica, hormonal e vascular. A dificuldade de ereção pode ser consequência de problemas vasculares e metabólicos.
Do total de atendidos, 56% tinham hipertensão e 19%, diabetes. Dos que se queixaram de impotência, metade tinha mais de 60 anos.
“O envelhecimento é a principal causa. Há perda progressiva das funções fisiológicas do organismo e, além disso, o aparecimento conjunto dessas doenças”, diz João Schiavini, urologista e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Muitas consequências de hipertensão e diabetes são irreversíveis e progressivas. Quando a dificuldade de ereção surge, pode ser que a aterosclerose (entupimento de artérias) já esteja avançada.
Para Jacobino, a impotência pode ser um jeito de atrair os homens para o médico. “Muitas vezes, ao tratar pressão alta e diabetes, já melhoramos a função sexual”, diz. Esse resultado é muito próximo de outros levantamentos realizados em diversos países, onde o estilo de vida tem um enorme peso na causa da disfunção erétil. Normalmente essa disfunção vem acompanhada de, ou melhor, pode ser conseqüência de dificuldade de relacionamento, dificuldades financeiras, pressões familiares ou na empresa e como a própria matéria mostrou, conseqüência de hipertensão ou diabetes.A sociedade americana de cardiologia tem usado o quadro de disfunção erétil como marcador de doenças coronarianas e ou artérias, pois este é um sinal que algo não anda bem com a circulação. Encontra-se 40 % de patologias cardíacas e ou coronariana em pacientes portadores da disfunção erétil, o que faz obrigatório a consulta a um medico, que pode ser o urologista ou mesmo um cardiologista. Vivemos uma sociedade de paradoxos, fala-se em todos os cantos sobre qualidade de vida e relacionamentos saudáveis, porem na pratica observamos um contingente enorme de pessoas estressadas, ansiosas, irritadas e com alimentação sintética e ausência de atividade física. Precisamos nos conscientizar que apesar de milênios de existência na terra e todo o processo evolutivo das ciências em nossa volta, a humanidade continua a mesma, o DNA não mudou e as necessidades básicas de satisfação e prazer na vida continuam sendo cobradas por essa natureza humana. Se não nutrirmos o mínimo destas necessidades, com certeza passaremos a ser disfuncionais, e o primeiro comportamento a sofrer os distúrbios é o sexual. Qualidade de vida não se tem em comprimidos, se tem em atitudes. Busque realizar tarefas que gerem prazer e relaxamento e com certeza seu corpo ganhara mais vida.Waldir moreno arevalo   

Confuso e em conflito….

Confuso e em conflito….               Desculpem pelo tempo do ultimo artigo publicado anteriormente, porem muitas coisas saíram na mídia e tão intensas que fiquei em estado de choque.                Sou médico em São Bernardo do Campo ha 25 anos, no mesmo local e com muitas pacientes em meu cadastro, mais de quinze mil mulheres. Neste período ocorreu uma transformação intensa no comportamento e nas relações sociais dos indivíduos.                   Lembro como se fosse hoje o choque que criei em meu pai quando apareci em casa com uma bolsa a tira colo e meu cabelo já tinha passado do ombro, estava no ápice de minha juventude. Muito rock roll, muita camiseta florida, muito bailinho de garagem, porem mesmo no meio deste turbilhão, nunca perdi meu norte. Não estava perdido e sem destino, estava apenas curtindo minha idade e as transformações que o mundo estava vivendo. Nunca deixei de estudar e de acreditar no meu sonho, ser medico. Em momento algum gerei transtornos ou pressão em meus pais por estar sem rumo ou desnorteado e vazio. Nosso país ainda vivia a ditadura militar e seu período de confronto, com militares nas ruas em que eu fazia meu trabalho de ofice boy (nesta época sem conotação pejorativa, apenas um auxiliar de escritório). Tempos difíceis, porém com significado, com caráter e ética. Sabia que sem esforço não chegaria à faculdade.                Junto com tudo isso, explodia no mundo a revolução feminista, o grito se ouviu em todos os cantos da terra e a partir de então a humanidade não era mais a mesma, pois no embalo veio a grande revolução sexual.               Estudo e frequento aulas e câmeras de discussão na area da sexualidade desde 1985, nos congressos de ginecologia, nos livros relatando os estudos de Master e Jonshons, Dr Kinsey, Helen Kaplan e aqui no Brasil o mestre Nelson Vitielo, aprendi a olhar a sexualidade e suas nuances de forma mais ampla e completa.                Passado vinte e cinco anos, me deparo com uma sexualidade em crise a meu ver, uma decadência de sentido e valor do ato sexual propriamente dito. Algo inodoro e insípido, realizado no vácuo dos sentimentos de dois seres quase humanos. O outro, o tu, não precisa mais ter significado, somente estar presente de corpo, pois alma também é exigir demais.                 Os abusos, agressões, pedofilias e tantas outras bestialidades passaram a ser minha manchete matinal, não que antes não tivesse, mas hoje se tornou obrigatório receber o lixo da humanidade na frente da minha porta.                 A globalização nos faz partícipes das misérias humanas das mais distantes tribos ou vilas de nossa cidade. Tornamos-nos consumidores de podres humanos, de regressão humana, como coisa mais normal e comum, pois todas as mídias já validaram de certa forma esta obtusa maneira de viver a sexualidade. Abro mais uma revista cientifica em que nos mostra a velocidade em que o HPV vem dominando o mundo e tudo que nele ha. Vem através desta rasteirizção da pratica sexual ao belo prazer e com que estiver a disposição, multiplicando os locais a serem implantados os vírus dos futuros cânceres. Hoje o local da vez orofaringe e boca. Mas como ver isso e não se importar ou dar de ombros, como atender meninas de treze, quatorze anos, na sua maioria das vezes com seus “namorados” da hora, sem um pai ou mãe que se interessem pelas suas vidas. Ah, desculpa, como exigir isso hoje de homens e mulheres que tão sobrecarregados de objetivos e tarefas tão importantes que não se dão conta que tem filhos. Meninas que em atitudes desafiadoras e afrontadoras às vezes, escarnecessem da  cobrança do uso de preservativo e sexo seguro, tão poderosas quanto os castelos de areia que quando batem a primeira onde desmoronam e sucumbe à força da natureza. Esta mesma natureza que tem mostrado a sua fúria ao disseminar implacavelmente tantos virus e tantas doenças.                   Lembro de grandes mestres que em defesa da liberdade e do prazer criticaram duramente o uso de imagens de DSTs em sala de aula, como forma de constrangimento e inibição da sexualidade, porém o que fazer diante de tão medíocre sexo praticado por nossos jovens como se fosse apenas um ato descartável. O que fazer diante de uma sociedade conivente e de órgãos de saúde cegos e inoperantes na questão de orientar e que nos chamem a atenção para valores básicos da vida. O que fazer se união estável passou a ser peso e ultrapassada, e com a fragilidade dos contratos matrimonias, deparamos com um exército de jovens criados pelos que sobraram para eles.                   Estou em crise, estou em momento de intensa angustia, aperto na alma ao relatar todas estas coisa, e tantas outras que me rodeiam diariamente. Tento ser uma pequena resistência, uma voz no deserto, um trabalhador pela excelência na vida sexual. Não aceito e não concordo com essa pratica discriminada de atos reflexos vaginais e penianos, nesta sexualidade de genitais e não de vida, vou continuar a defender o vinculo, o amor, o respeito, o sacrifício o significado do outro e da alma para podermos sentir orgasmos. Vou continuar gritando que o ser humano perdeu sua rota de origem e esta a deriva, sem sentido. Vou defender que a nossa felicidade só pode ser alcançada e encontrada em quem a criou, palavras ditam por C.S.Lewis ao ser questionado sobre a mesma.O sexo prazeroso, seguro, afetivo só pode ser alcançado com muita maturidade, muito investimento e muita cumplicidade, coisas que infelizmente nossos jovens não conhecem e não foram apresentados.Desculpe o longo desabafo, porem não tinha como ser diferente.Waldir Moreno Arevalo